O PP e a imer­som lin­güís­ti­ca- Mau­ri­cio Castro

Exis­te toda umha corren­te infor­ma­ti­va que nos últi­mos tem­pos espalha a supos­ta opo­siçom do Par­ti­do Popu­lar às polí­ti­cas de imer­som como ferra­men­ta de nor­ma­li­zaçom lin­güís­ti­ca no Esta­do espanhol.


Segun­do essa teo­ria, o Par­ti­do Popu­lar defen­de­ria a liber­da­de indi­vi­dual, para evi­tar pla­ni­fi­caçons ten­den­tes à impo­siçom de umha lín­gua con­cre­ta sobre as outras, median­te a obri­ga­to­rie­da­de do seu uso como idio­ma vei­cu­lar no ensino, quer dizer, a «demo­nía­ca» imer­som lingüística.

Per­mi­ta-se-nos dis­cor­dar de tal inter­pre­taçom, que ofe­re­ce umha visom par­cial da polé­mi­ca que nes­tes dias enfren­ta o PP com a maio­ria dos par­ti­dos cata­láns, com o mode­lo de ensino do cata­lám e do espanhol como ele­men­to de dis­cór­dia. Con­tra­ria­men­te ao que se di na maio­ria dos meios cor­po­ra­ti­vos espanhóis, nom creio que o nó do con­fli­to este­ja na dico­to­mia «imer­som sim» ver­sus «imer­som nom».

Já temos comen­ta­do nou­tras oca­sions a inco­rreçom de falar de um «nacio­na­lis­mo» peri­fé­ri­co gale­go (ou cata­lám, ou bas­co) enfren­ta­do a um «nom nacio­na­lis­mo» cen­tral espanhol, como fam nom só os ideó­lo­gos do espanho­lis­mo, mas tam­bém alguns teó­ri­cos do nacio­na­lis­mo gale­go. A reali­da­de res­pon­de real­men­te ao con­fron­to entre dous nacio­na­lis­mos: o defen­si­vo da naçom peque­na (Gali­za) e o ofen­si­vo ou expan­sio­ná­rio da naçom gran­de (Espanha), segun­do a ter­mi­no­lo­gia apli­ca­da já por Leni­ne a iní­cios do sécu­lo pas­sa­do para o con­tex­to do impe­ria­lis­mo russo.

Afir­ma­mos ago­ra que é tam­bém um erro gra­ve, e teme­mos que nada ino­cen­te, situar­mos o deba­te em ter­mos pare­ci­dos no caso das lín­guas e, con­cre­ta­men­te, da imer­som lin­güís­ti­ca. De fac­to, isso só ser­vi­ria para ocul­tar a ver­da­dei­ra natu­re­za do con­fli­to polí­ti­co-lin­güís­ti­co com que o espanho­lis­mo está a agi­tar as mas­sas ‑mais umha vez- con­tra as iden­ti­da­des peri­fé­ri­cas que ain­da resis­tem a impo­siçom defi­ni­ti­va do nacio­na­lis­mo lin­güís­ti­co espanhol.

A reali­da­de dos fac­tos afir­ma cla­ra­men­te que, des­de a exten­som com­ple­ta da esco­la­ri­zaçom uni­ver­sal no Esta­do, o nacio­na­lis­mo espanhol sem­pre apos­tou na imer­som lin­güís­ti­ca para a úni­ca lín­gua obri­ga­tó­ria no inte­rior das suas fron­tei­ras. Nom conhe­ce­mos nen­gum caso de nen­gumha força polí­ti­ca rele­van­te de ámbi­to espanhol que pro­ponha ou tenha pro­pos­to o res­pei­to pola terri­to­ria­li­da­de lin­güís­ti­ca das comu­ni­da­des lin­güís­ti­cas his­to­ri­ca­men­te pre­sen­tes no seu inte­rior: a gale­ga, a bas­ca, a cata­lá, a oci­ta­na, a ára­be, a tama­zig-rifenho, a astur-leo­ne­sa, a ara­go­ne­sa… Sublinha­mos que nom esta­mos a falar de qual­quer uto­pia irrea­li­zá­vel, pois há esta­dos em que essa terri­to­ria­li­da­de está garan­ti­da, como a Suíça ou mes­mo a Bél­gi­ca no caso do con­ti­nen­te euro­peu, mas tal pos­si­bi­li­da­de fica des­car­ta­da no caso espanhol.

Algumhas das refe­ri­das comu­ni­da­des lin­güís­ti­cas, é ver­da­de, som cla­ra­men­te mino­ri­tá­rias nos seus res­pe­ti­vos terri­tó­rios de refe­rên­cia, como resul­ta­do de pro­ces­sos secu­la­res de assi­mi­laçom hoje qua­se cul­mi­na­dos. Tal é o caso ara­go­nês ou mes­mo o astur-leo­nês. Porém, outras som ain­da hoje maio­ri­tá­rias, como acon­te­ce com o gale­go na Gali­za, o cata­lám na Cata­lunha ou o rifenho no encla­ve afri­cano de Melilha, o que nom impe­de que em nen­gum caso este­ja pre­vis­ta a prio­ri­da­de da lín­gua pró­pria em qual­quer dos terri­tó­rios corres­pon­den­tes. Inclu­si­ve no caso do cata­lám, sem dúvi­da o mais ambi­cio­so do pon­to de vis­ta da lín­gua mino­ri­za­da, os defen­so­res da imer­som nes­sa lín­gua nom pas­sam de recla­mar umha equi­pa­raçom com a lín­gua do Estado.

Em defi­ni­ti­vo, a lega­li­da­de atual esta­be­le­ce para todo o Esta­do espanhol a prio­ri­da­de do cas­telhano ou espanhol, fican­do as res­tan­tes lín­guas his­tó­ri­cas em posiçons sub­si­diá­rias ou sim­ples­men­te fora da lega­li­da­de, como acon­te­ce com o astur-leo­nês nas Astú­rias, o ara­go­nês em Ara­gom, o ára­be em Ceu­ta e o tama­zig em Melilha.

Tan­to o Par­ti­do Popu­lar, como o PSOE e inclu­si­ve Izquier­da Uni­da, defen­dem a impo­siçom do mode­lo de imer­som lin­güís­ti­ca em espanhol para todos esses terri­tó­rios, incluí­da a Gali­za. De fac­to, nin­guém nes­te Esta­do dito demo­crá­ti­co pare­ce pôr em ques­tom essa fla­gran­te e uni­la­te­ral impo­siçom, ape­sar de a lín­gua impos­ta ser mino­ri­tá­ria em vários terri­tó­rios com per­so­na­li­da­de pró­pria, como ain­da suce­de na Galiza.

É evi­den­te que a imer­som lin­güís­ti­ca em espanhol é defen­di­da polo PP e polos outros par­ti­dos espanhóis. Tam evi­den­te, que foi já cons­ti­tu­cio­nal­men­te impos­ta na car­ta mag­na de 1978. A que res­pon­de entom a polé­mi­ca atual em torno da imer­som lin­güís­ti­ca no ensino da Catalunha?

A polé­mi­ca sur­ge só quan­do num dos terri­tó­rios peri­fé­ri­cos, o Prin­ci­pat da Cata­lun­ya, se ten­ta apli­car um mode­lo de imer­som par­cial em cata­lám, em nen­gum caso tam inten­so e gene­ra­li­za­do como o vigo­ran­te para o cas­telhano no con­jun­to do Esta­do. É aí que sal­tam os mais intran­si­gen­tes nacio­na­lis­tas espanhóis, que veem peri­gar a abso­lu­ta hege­mo­nia do idio­ma «com­panhei­ro do impé­rio» no que con­si­de­ram ser só mais um pedaço da sua Espanha.

Umha vez situa­da a ques­tom nos seus ver­da­dei­ros ter­mos, só nos res­ta dei­xar no ar umha per­gun­ta final: Por que moti­vo os nacio­na­lis­mos peri­fé­ri­cos con­ti­nuam a acei­tar os ter­mos do deba­te tru­ca­do que a ideo­lo­gia domi­nan­te espanho­la impom atra­vés dos seus pode­ro­sos alti­fa­lan­tes mediáticos?

As legí­ti­mas aspi­raçons de qual­quer povo sem Esta­do devem pas­sar pola rei­vin­di­caçom da ofi­cia­li­da­de úni­ca ou prin­ci­pal da lín­gua pró­pria. Só isso pode­rá garan­tir a sobre­vi­vên­cia do nos­so idio­ma e só nes­ses ter­mos pode­re­mos des­mas­ca­rar o fal­so demo­cra­tis­mo libe­ral das per­cen­ta­gens de pre­se­nça mino­ri­tá­ria que os espanhóis estám dis­pos­tos a ceder-nos como uten­tes de lín­guas cons­ti­tu­cio­nal­men­te inferiores.

Cla­ro que, cer­ta­men­te, todo o ante­rior nos obri­ga a assu­mir tam­bém umha irre­nun­ciá­vel aspi­raçom como gale­gos e gale­gas cons­cien­tes: a de que­brar a Cons­ti­tuiçom de 1978 e o seu espí­ri­to pro­fun­da­men­te anti­de­mo­crá­ti­co e inimi­go da diver­si­da­de nacio­nal e lingüística.

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